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14 de mar. de 2014

Aos maridos e namorados de mulheres grávidas

Mudanças de humor drástica, gritos, birras, choros, chiliques. Não, eu não estou falando de uma criança de 2 anos, estou falando de uma mulher grávida. A gravidez é um dos momentos mais "Guerra Fria" de um relacionamento. Tudo parece lindo, o sonho se realizando, mas essa paz não passa de teoria. Dentro de uma mulher grávida milhares de pensamentos, sentimentos e sensações se misturam, criando uma verdadeira bomba atômica prestes a explodir a qualquer momento. Qualquer coisa vira motivo para um mix de fúria e carência, onde ela sempre tem a razão, mesmo que não tenha. 
Você começa a se sentir angustiado porque ela mudou, você não tem mais direito a opinião, sente-se deixado de lado (salvo os momentos em que ela se sente carente e corre para seus braços). Eu, como grávida, tenho um conselho para você homem: Paciência. Não discutam, não se imponham tanto, não liguem para tudo o que elas vão dizer. Aquela mulher que você conheceu está lá em algum lugar, mas está afogada em hormônios, mudanças repentinas e uma insegurança que vem até para as mulheres mais tranquilas. 
A ideia de ser pai pode ser assustadora para você, mas ser mãe é muito mais difícil. Ser mãe envolve corpo, alma e coração. Primeiramente o corpo, que a cada segundo se modifica, se abre, se afrouxa para que um novo ser se forme ali dentro. O corpo que já está diferente mesmo quando nem se sabe que está grávida, e que continuará diferente quando não se estiver mais. A cintura que sumiu, as estrias que aparecem incessantemente, os seios que doem... A insegurança se forma a cada olhada no espelho.
Depois vem a alma, que se esforça para ser alguém que não se sabe ser, que se doa para um ser humano que ainda nem nasceu. Nesse momento ela tem medo de não ser uma boa mãe, de seu filho não ser feliz, de ele se tornar uma criança triste por culpa dela. Tudo o que ela quer é encontrar a fórmula da felicidade e deixá-la guardada na gaveta até a hora em que seu filho nascer. Ela não quer falhar, ela não pode falhar.
Só depois disso tudo vem o coração. Muitas mães só começam a verdadeiramente amar seu bebê muito tempo depois de descobrir que está grávida. Pode-se amar a ideia de ser mãe desde o primeiro momento, mas amar um filho é diferente. Quando o coração demora a entrar no jogo a mulher se sente impotente. Você já ama o bebê, os pais dela e os seus pais já amam o bebê, todos já amam o bebê, mas ela está assustada demais para conseguir amá-lo. Acho que de tudo essa é a parte mais difícil. Pelo menos para mim foi, até agora. 
Nesses 9 meses tenha em mente que há muita coisa acontecendo para ela, e faça todos os dias a escolha de "não estar certo, mas ser feliz". Diga a ela que ela está linda todos os dias, que ela será uma ótima mãe e que ela é a mulher mais forte e corajosa que você já conheceu. Não faça brincadeirinhas do tipo "Quando o neném nascer você vai ficar uma geladeirinha linda" (sim, isso é um caso real! Acredite quem quiser) porque o que você vai conseguir tirar dela são tapas e lágrimas ao invés de um sorriso e o que você não conseguirá tirar dela são palavras por um bom tempo.Quando esse tempo passar, e passa rápido, ela vai voltar a ser a mulher que você conheceu. Então rapazes, PACIÊNCIA...

Beijos, Mamãe Coruja.