19 de mar. de 2014

Acordei com dor e percebi que estava sangrando

          Eu normalmente acordo tarde, por volta das 10h da manhã, mas dia 05 desse mês acordei mais ou menos às 7h30 com uma cólica aguda. Continuei deitada por algum tempo até a dor passar, me levantei e fui beber água. Quando fui fazer xixi, uma surpresa nada agradável: uma manchinha de sangue na minha calcinha.




          Como eu estava com 7 semanas de gestação achei esperançosa que era só um sangramento de escape, desses que dizem ser normais durante o primeiro trimestre, então não falei nada para ninguém e continuei minha vida. Fui para a faculdade normalmente e depois me encontrei com meu namorido, ele iria fazer um exame de sangue naquele dia (exigência do trabalho), e eu iria acompanhá-lo. Quando chegamos lá senti uma pequena pontada, dessa vez bem mais fraquinha, e fui correndo ao banheiro. Para meu alívio momentâneo não havia mais sangue na minha calcinha. Fiz xixi e então o que era alívio virou uma aflição maior ainda: uma gotinha de sangue no papel higiênico. Procurei rapidamente meu cartão do convênio dentro da bolsa, e como eu sou uma lerda o havia esquecido em casa e seria impossível buscá-lo para ir ao hospital naquele dia, já que moramos a 70km de Brasília e meu convênio só é aceito no Distrito Federal. Para evitar que Jailton surtasse não falei nada para ele. Naquele dia andamos para cima e para baixo, e eu com pequenas pontadinhas sempre, mas agora sem nenhum sangue. 
          Por volta das 15h voltamos para nossa cidade e fomos para a casa da mãe dele. Quando cheguei lá Amilly, a sobrinha de 4 anos dele, veio correndo e pulou nos meus braços. Nessa hora eu não consegui mais suportar. A dor havia aumentado muito e eu não estava nem conseguindo respirar direito. Não aguentei e contei para Jailton sobre os sangramentos e as dores. E como eu esperava ele realmente surtou. Me levou correndo a um hospital público aqui da cidade e o médico, nada agradável, disse sem fazer nenhum tipo de exame que era um início de perda. Meu coração murchou na mesma hora, me senti incapaz de proteger meu filhinho indefeso. Eu só precisava mantê-lo seguro pelos 9 meses, e nem isso eu era capaz de fazer. Aquilo era culpa minha, eu sabia que era. Jailton tentou me consolar, disse que daria tudo certo, que nosso bebê estava bem e que isso não era nada. Tentei confiar no que ele dissera. 
          Fomos para a casa dos meus pais, e eu resolvi tomar um banho. Quando acabei o banho encontrei aquele que havia dito que daria tudo certo chorando escondido. Não aguentei. Naquele momento senti meu coração morrer aos poucos. Eu tinha que ser forte, se nós estávamos realmente perdendo nosso neném eu teria que ser a força que Jailton não tinha mais. O abracei e ele realmente desabou nos meus braços. Chorou, soluçou, abafou gritos no meu colo. Eu disse para ele mais ou menos o que ele havia me falado algum tempo antes, que ficaria tudo bem, que nosso neném estava bem sim, que o que o médico disse estava errado porque ele não fez nenhum exame para saber se aquilo era verdade. Disse ainda que dali a um ano e meio teria uma coisinha pequenina correndo dentro da nossa casa mexendo nas coisas dele, quebrando os enfeites da estante e gastando todo nosso dinheiro. Ele sorriu e eu me senti melhor por ter conseguido fazê-lo parar de chorar. 
          No dia seguinte, ás 7h30 da manhã, fomos direito para a emergência do Hospital Santa Helena, fomos atendidos rapidamente e eu fui encaminhada para meu primeiro ultrassom. A parte de fazer a ficha + ser chamada para o exame foi a mais demorada de todas. Jailton estava com os olhos baixos, inchados. Acho que ele chorou mais a noite, mas eu não perguntei. Fui chamada, me mandaram esvaziar a bexiga. Como eu estava de vestido não precisei usar aquela roupa de hospital. O médico entrou na sala e eu já estava deitada na mesa, ele se preparou e o exame começou. No início foi muito incomodo, mas então "tum tum, tum tum, tum tum", o coração do meu neném estava batendo, 180 batimentos por minuto. Eu nem prestava mais atenção no quanto aquele exame foi incomodo. Foi a hora em que eu relaxei. Olhei para Jailton e os olhos dele estava brilhando, e eu juro que estavam cheios de água. O médico chamou minha atenção para a tela e então eu vi meu bebê. Ele estava bem! O médico disse que eu tive um pequeno descolamento de saco gestacional, e que precisaria ficar de repouso, usar umas capsulas de progesterona e evitar brigar e me estressar por algum tempo. 
          Saímos da sala de exame e fomos para a sala da doutora que havia nos atendido primeiramente. Ela nos explicou o que é um descolamento de saco gestacional, e me passou o remédio Ultragestan para tomar por 10 dias. Fomos para casa com o coração mais tranquilo, sabendo que nosso bebê estava bem. 

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